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Google lança YouTube Edu, plataforma educativa com 8.000 videoaulas gratuitas

O Google anunciou nesta quinta-feira (21/11) a criação do Youtube EDU, uma plataforma que seleciona e agrega vídeos de educação feitos por professores brasileiros. A iniciativa, criada em parceira com a Fundação Lemann, do empresário Jorge Paulo Lemann, é a primeira fora dos Estados Unidos a reunir canais criados por educadores sob o mesmo endereço, o www.youtube.com/edu.

O lançamento é chamado pelo Google de “plataforma de excelência” para estudantes, professores e escolas do país. Excelência porque os vídeos publicados no Youtube EDU passam pela curadoria de uma comissão de professores, que avaliam a veracidade das informações e a qualidade das aulas. “Essa foi uma das partes mais difíceis do trabalho, porque não dá para definir exatamente o que é uma aula boa ou não. Cada um tem uma forma de ensinar e um jeito de aprender. O grande diferencial da plataforma é justamente possibilitar que as pessoas escolham o professor que melhor se adapta ao seu perfil”, disse Dênis Mizne, diretor executivo da Fundação Lemann.

A solução, então, foi avaliar se o conteúdo dos vídeos estava correto e deixar a tarefa de escolher o método de ensino para o próprio aluno. Mas mesmo aceitando a diversidade das aulas, a seleção foi criteriosa. “Cada vídeo assistido, seja de 10 ou de 30 minutos, leva mais de duas horas para ser avaliado”, disse Marcelo Knobel, professor de física da Unicamp e um dos curadores do processo. O resultado foi esse: 26 canais e um total de 8 mil vídeos – pelo menos até agora – de mais de 18 mil registrados no Youtube com a tag “educação”.

Para estrear no Youtube EDU é preciso encaminhar alguns vídeos para a equipe de avaliadores. Uma vez aprovados, o professor terá suas próximas aulas publicadas automaticamente. Para ter controle sobre todo conteúdo que entra no endereço, o Google e a Fundação Lemann contam especialmente com a ajuda dos próprios usuários. “O usuário é muito ágil em reportar erros por meio da própria ferramenta do Youtube. Só vamos avaliar novamente um professor se ele decidir trabalhar com uma nova disciplina, daquela avaliada anteriormente”, disse Mizne. Os professores não receberão dinheiro a mais para participar da plataforma, mas deverão ganhar mais visualizações.

Os campeões de audiência

Alguns professores são verdadeiras estrelas na internet. É o caso de Paulo Jubilut, que ensina biologia em vídeos do Youtube desde 2010. O seu canal, o Biologia Total, foi criado depois de ele ter sido demitido de um colégio. Decepcionado, ele se viu prestes a desistir da docência e abrir uma casa de sucos quando decidiu começar a gravar suas aulas e postá-las na internet.

Deu tão certo que, pouco tempo depois, o Youtube entrou em contato para perguntar se ele não gostaria de capitalizar seu canal. Daí a ideia da casa de sucos foi ficando de lado, até ser esquecida. Hoje, os vídeos mais assistidos de Jubilut possuem entre 300 mil e 500 mil visualizações (veja bem, não estamos falando do novo clipe da Madonna, mas de aulas online).

O Biologia Total é um dos canais que integram Youtube EDU. Além de biologia, a plataforma disponibiliza aulas de matemática, física, química e língua portuguesa, todas para o Ensino Médio. A intenção é expandir o conteúdo para outras matérias e também para o Ensino Fundamental até 2014. “Queremos cobrir dos 6 até os 18 anos”, disse João Luis de Almeida, do Sistema de Ensino Poliedro, um dos curadores do projeto.

“Não substitui o professor”

Uma das falas mais repetidas durante o evento desta quinta foi: o lançamento da plataforma não substitui o ensino tradicional. “A ideia é que ela ajude professores e alunos”, disse Mizne, da Fundação Lemann.

Um vídeo explicativo do projeto mostra educadores exibindo as aulas online a seus alunos na própria sala de aula (veja abaixo) – e esse é um dos objetivos do lançamento. “Acredito que a educação ainda vai passar por uma transformação enorme e o mundo digital vai ser crucial, com o desenvolvimento de novas tecnologias para que o professor aprenda e também ensine melhor”, disse Jorge Paulo Lemann.

 

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